Lula 3 deve se tornar o mandato com maior gasto em cartões corporativos da Presidência
Levantamento indica R$ 55 milhões desembolsados até agora, em despesas com viagens, hotéis de luxo, mobiliário e reformas
O terceiro mandato do presidente Luiz
Inácio Lula da Silva já registra R$ 55,4 milhões em gastos com cartões
corporativos, podendo ultrapassar todos os mandatos anteriores até
dezembro de 2026, segundo dados do Tribunal de Contas da União (TCU). As
despesas incluem viagens internacionais e reformas no Palácio da
Alvorada, com críticas sobre a transparência e a natureza dos gastos.
O terceiro mandato do presidente Luiz
Inácio Lula da Silva caminha para registrar o maior gasto da história da
Presidência da República com cartões corporativos. Dados oficiais
auditados pelo Tribunal de Contas da União (TCU) mostram desembolso de
R$ 55,4 milhões até o momento.
Se o ritmo médio de execução orçamentária
for mantido até dezembro de 2026, o governo deverá superar todas as
gestões desde a criação do instrumento, em 2001, conforme levantamento
do jornal Gazeta do Povo.
Em valores corrigidos pela inflação, o primeiro mandato de Lula lidera atualmente o ranking, com R$ 70 milhões em despesas. Em seguida aparecem:
- Lula 2, com R$ 57 milhões;
- Dilma Rousseff 1, com R$ 50 milhões;
- Jair Bolsonaro, com R$ 39 milhões;
- Michel Temer, com R$ 18 milhões;
- Dilma 2, com R$ 12 milhões.
Como ainda restam cerca de 20 meses de
execução orçamentária até o fim do mandato, a projeção é que o atual
governo ultrapasse o total registrado na primeira gestão petista.
Paralelamente, as despesas do Executivo com diárias e passagens já
superam R$ 4,5 bilhões em três anos e meio.
Os números ganharam repercussão em meio a
gastos relacionados a viagens internacionais, hospedagens em hotéis de
alto padrão, renovação do mobiliário do Palácio da Alvorada e outras
despesas ligadas à estrutura da Presidência e da primeira-dama Rosângela
da Silva, a Janja.
O governo afirma que os desembolsos
decorrem de necessidades operacionais, exigências de segurança e da
recomposição do patrimônio público. Críticos da administração sustentam
que os valores refletem uma estrutura considerada excessivamente onerosa
e incompatível com o discurso de responsabilidade fiscal.
As viagens internacionais do presidente
também passaram a ser alvo de questionamentos. Missões oficiais
incluíram hospedagens em estabelecimentos como o InterContinental Paris
Le Grand, o Le Negresco, em Nice, e o Taj Palace, em Nova Délhi.
Em 2025, dos R$ 44 milhões destinados às
viagens internacionais, aproximadamente R$ 18 milhões foram direcionados
à hospedagem de comitivas. Os gastos com hotéis alcançaram R$ 20
milhões de um orçamento anual de R$ 52 milhões reservado às missões no
exterior.
Embora parte das despesas tenha sido
assumida pelos países anfitriões ou integrada à logística oficial das
visitas de Estado, parlamentares e órgãos de controle cobraram
esclarecimentos sobre os critérios para escolha dos hotéis, o tamanho
das delegações e os custos das hospedagens.
Também houve questionamentos sobre a
transparência das informações. No caso da viagem de Janja a Nova York,
em 2024, respostas a pedidos feitos com base na Lei de Acesso à
Informação (LAI) esclareceram apenas despesas com passagens e seguro,
sem detalhar integralmente os custos de hospedagem e alimentação.
Lula reformou Palácio da Alvorada no início do mandato
Nos primeiros meses do mandato, compras
para o Palácio da Alvorada também provocaram repercussão. Em abril de
2023, a Presidência adquiriu, por dispensa de licitação, um sofá de R$
65 mil e uma cama de R$ 42 mil. O governo justificou a medida pela
necessidade de recompor o mobiliário da residência oficial.
Antes disso, em fevereiro, foram comprados
11 móveis por R$ 379 mil sob a mesma justificativa. Mais tarde
verificou-se que os itens considerados desaparecidos estavam armazenados
em um depósito da própria Presidência.
No fim de 2023, vieram novas aquisições,
entre elas um tapete de R$ 114 mil para o Palácio do Planalto e um
serviço de piso avaliado em R$ 156 mil. Segundo o governo, o objetivo
era conferir maior “brasilidade” à decoração dos ambientes.
Lula e Janja permaneceram hospedados
durante 36 dias em um hotel de Brasília enquanto a residência oficial
passava por reformas. A estadia custou R$ 216,8 mil, valor que, segundo o
governo, incluiu hospedagem do casal presidencial, serviços e
acomodações destinadas à equipe de segurança.
Peças de vestuário utilizadas pelo casal
presidencial em compromissos oficiais também despertaram interesse
público. Em uma viagem a Portugal, Janja publicou imagem de Lula com uma
gravata da grife italiana Ermenegildo Zegna.
Ela informou que a peça foi comprada com
recursos próprios. Em outras ocasiões, a primeira-dama apareceu com
roupas de estilistas brasileiros, e o casal utilizou calçados de marcas
internacionais de luxo.
Aliados do governo afirmam que as escolhas
valorizam a moda nacional e lembram que parte das roupas pode ser
emprestada por estilistas. Integrantes da oposição compararam os valores
divulgados com a renda média da população brasileira.



COMENTÁRIOS